Ciberataques no Brasil aumentam 45% e expõem riscos na cadeia de fornecedores
Especialistas apontam que 74% das violações na região envolvem terceiros, tornando a segurança da cadeia de suprimentos um desafio crítico.
Vulnerabilidades em fornecedores se tornam um ponto de entrada cada vez mais explorado por criminosos, afetando empresas de diversos setores.
Aumento expressivo de ciberataques no Brasil revela vulnerabilidades em terceiros
Os ciberataques contra organizações brasileiras registraram um aumento de 45% em julho, segundo dados da Check Point Research. As ocorrências semanais por organização chegaram a uma média de 4.151. Este cenário acende um alerta para a vulnerabilidade da cadeia de fornecedores, um ponto crítico que se mostra cada vez mais exposto.
Na América Latina e no Caribe, a situação é alarmante: 74% das violações de dados analisadas pelo Data Breach Investigations Report (DBIR) 2026, da Verizon, tiveram envolvimento de terceiros. Este dado reflete uma tendência global, onde o envolvimento de terceiros em violações saltou de 30% para 48% globalmente, conforme o mesmo relatório.
Caso Dígitro Tecnologia: um alerta para a cadeia de suprimentos
Um incidente recente que ilustra este risco ocorreu em maio deste ano com a Dígitro Tecnologia, fornecedora de sistemas para mais de 150 instituições governamentais e órgãos de segurança pública. O Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov) emitiu um alerta classificando o episódio como um ataque massivo à cadeia de suprimentos, devido ao vazamento de bancos de dados, repositórios de código-fonte e arquivos internos da companhia. O caso evidenciou a exposição de sistemas críticos utilizados por forças policiais brasileiras.
Especialistas alertam para a facilidade de acesso via fornecedores
Rodolfo Almeida, COO da ViperX, startup de cibersegurança do Grupo Dfense, explica que a exploração de fornecedores pode ser uma tática mais eficiente para os criminosos. “Para o criminoso, muitas vezes é mais barato e rápido atacar o fornecedor que tem a chave do que enfrentar diretamente uma empresa com maior maturidade de segurança. O elo mais vulnerável pode acabar abrindo acesso a todo o restante da cadeia”, afirma Almeida.
A preocupação com as vulnerabilidades de terceiros figura entre os maiores desafios para a resiliência cibernética das empresas. Segundo o Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, 65% das grandes organizações apontam esse fator como seu principal obstáculo, um aumento em relação aos 54% registrados no ano anterior.




