Tecnologia, IA e relacionamento: como a SocialZap quer transformar o pós-venda óptico em motor de crescimento

Durante a cobertura da Expo Óptica 2026, uma das pautas que mais chamou atenção foi o avanço da inteligência artificial aplicada ao relacionamento com clientes no varejo óptico. Em entrevista ao portal, Virgílio Machado e Guilherme Bueno, da SocialZap, apresentaram o Ecossistema de Aceleração Ótica 360°, plataforma que integra tráfego, atendimento e pós-venda com automações e IA voltadas especificamente para óticas.

A proposta nasceu da prática — e não de uma tendência de laboratório. Virgílio, engenheiro e proprietário de 10 unidades do Mercadão dos Óculos, explica que a ideia surgiu a partir das dores reais da operação.

“É uma dor do balcão, do dono de ótica. A gente desenhava processos para a equipe executar, mas com o aumento das vendas ficava humanamente impossível acompanhar tudo. Então desenvolvemos um processo automatizado para a máquina fazer o trabalho operacional e permitir que as pessoas atendam melhor.”

Segundo os empresários, o sistema atua desde a captação de leads até o relacionamento contínuo com clientes da base. A plataforma integra campanhas de tráfego pago, CRM, automações e inteligência artificial para acelerar respostas e melhorar a conversão.

Atendimento híbrido e IA personalizada

Diferente dos chatbots tradicionais, a IA da plataforma é treinada de acordo com o perfil de cada ótica. A comunicação muda conforme o posicionamento da marca, ticket médio e estratégia comercial.

“Ela não trabalha com respostas fixas. A IA entende o perfil da ótica, lê receita, consulta disponibilidade de produtos e conduz o atendimento de forma natural”, explica Guilherme.

Outro ponto destacado foi a velocidade de resposta. Segundo eles, muitos clientes entram em contato fora do horário comercial, especialmente à noite, após serem impactados por anúncios digitais.

“Quando o atendimento demora, o lead esfria. Hoje o consumidor é imediatista. Muitas vezes ele clica em vários anúncios e fecha com quem respondeu primeiro e melhor.”

A empresa afirma que o modelo híbrido — combinando SDRs humanos e inteligência artificial — aumenta a eficiência sem substituir o fator humano.

“A tecnologia não vem para tirar pessoas do processo. Pelo contrário: ela gera tantas oportunidades que a ótica muitas vezes precisa aumentar a equipe.”

Pós-venda deixa de ser detalhe e vira estratégia

Se o pré-venda atrai, o pós-venda fideliza — e é justamente aí que a SocialZap concentra boa parte da estratégia.

O ecossistema desenvolvido pela empresa cria uma régua automatizada de relacionamento com clientes ao longo de até dois anos, incluindo avaliações de atendimento, pesquisas sobre adaptação aos óculos, lembretes de renovação de receita e oportunidades de recompra.

Para os entrevistados, muitas óticas ainda subestimam o potencial financeiro da própria base de clientes.

“O empresário investe muito em aquisição de novos clientes, mas esquece de se relacionar com quem já comprou. E é justamente aí que está a mina de ouro.”

Segundo dados apresentados pela empresa, vender para clientes já existentes pode ser até 25 vezes mais barato do que conquistar novos consumidores, enquanto clientes recorrentes tendem a gastar mais ao longo do tempo.

A estratégia também traz impactos operacionais. O sistema identifica rapidamente clientes promotores, neutros e detratores, permitindo que gestores ajam antes que problemas escalem.

Virgílio compartilhou um exemplo vivido durante a própria feira:

“Eu estava aqui no evento e recebi uma avaliação negativa de uma das minhas lojas no interior. Na mesma hora conseguimos agir, entrar em contato com o cliente e entender o problema antes que isso aumentasse.”

Resultados rápidos e cultura de dados

De acordo com a SocialZap, óticas que já possuem base ativa começam a perceber resultados logo nos primeiros dias de implementação.

“Muitas vezes a primeira venda já acontece em dois ou três dias e paga o investimento do serviço”, afirma Guilherme.

Além do aumento nas oportunidades comerciais, a plataforma também entrega indicadores de performance para gestão de equipe, atendimento e experiência do consumidor.

A empresa destaca ainda que o uso da IA no setor óptico não é mais uma aposta futura, mas uma adaptação necessária ao novo comportamento do consumidor.

“Quem não estruturar pré e pós-venda com tecnologia já está ficando para trás. E deixando dinheiro na mesa.”

Com um mercado cada vez mais competitivo e consumidores mais conectados, a discussão apresentada durante a feira reforça um movimento que parece inevitável: no varejo óptico, relacionamento deixou de ser apenas atendimento — virou estratégia de crescimento.

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